segunda-feira, janeiro 29, 2007

O feitiço vira-se contra o feiticeiro

Durante boa parte da sua vida, os homens repetem, sob várias fórmulas, a desculpa "não estou preparado para uma relação séria" meaning "eu até gostei de dar umas voltas contigo, mas não estou para mais". Tenham piedade! Quem nunca ouviu coisa semelhante? A última que me disseram foi "não tenho capacidade para me envolver com uma pessoa que se vai embora daqui a umas semanas", sabendo que havia mais probabilidades de eu ficar do que de ir. Nem liguei, passei à frente. Estava atrasada para o trabalho e já não tinha paciência nem para a criatura em questão nem para este discurso.
E porque não aprender umas coisas com eles? Porque não dizer "eu não tenho jeito para compromissos" meaning "podemos passar umas noites juntos, tu és giro e até sabes fazer umas coisas. Mas nós nunca nos rimos juntos, nunca conversámos horas a fio como se o resto do mundo não existisse. Eu nunca fiquei com um sorriso incontrolável só de pensar em ti". Se ele fôr intelectualmente mais avançado, até nos podemos sair com uma tirada chique do género "sabes, eu sou uma nómada urbana, não tenho vida para isto". Mas atenção, se ele não muito dado aos livros a tirada brilhante pode ser contrapruducente. Ainda pensa que nascemos numa tenda beduína no meio do deserto e aí vai-se logo o nosso charme. Ao ouvirem o seu discurso proferido por uma voz feminina, é vê-los primeiro atónitos, depois desconfiados e um pouco frustrados. Afinal, como é possível que uma mulher não queira casar e ter filhos com eles logo ao segundo encontro? Finalmente aceitam e ficam felizes porque acreditam piamente que o problema é nosso, não é deles. É maravilhoso. Eles repetem tantas vezes a mentira que acabam por acreditar mesmo nela. E, se eles têm esta pseudo fobia ao compromisso, é possível que também haja mulheres (poucas) que padeçam do mesmo. A credulidade deles nas suas próprias mentiras poupa-nos imenso trabalho e tempo com explicações desnecessárias!
Se não podes vencê-los, junta-te a eles. Pensa como eles. Age como eles.

3 comentários:

Sapinho disse...

Estereotipos e simplismos são caminhos atraentes, mas faliciosos!
... tanto mais quando ao manter baixa a fasquia alheia, baixas também a tua!

Behare of the Dark Side, young paddawina...

Susaninha disse...

Não me leves assim tão a sério! Nem eu levo...
Sim, fiz uma generalização mas não a todos ou a todas as situações. Se escrevo que "nós nunca nos rimos juntos, nunca conversámos horas a fio como se o resto do mundo não existisse. Eu nunca fiquei com um sorriso incontrolável só de pensar em ti", é porque algumas pessoa já me fizeram sentir assim. E se escrevo posts como "a síndrome do compromisso" é porque os homens não fazem uso desta desculpa ad eternum.
A altura da fasquia depende do que queremos de determinada pessoa. Às vezes quero muito, outras vezes nem tanto...

Sapinho disse...

Quando agora dizes Às vezes quero muito, outras nem tanto... lembraste-me do Tetris: não há peças inerentemente "erradas", existem outras variáveis e bem mais pertinentes. E terá sido mais dentro dessa linha que eu fiz o meu comentário.

Se pareceu um julgamento, a intenção era mais um been there, done that. Não te estava a levar a sério, nem também falei assim tão a sério!

Aliás!, acredito que não há coisa alguma que alguém diga sobre este tema que deva mesmo ser levado mesmo a sério... ;)