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segunda-feira, março 26, 2007

Drink to the revolution

Taybeh é conhecida pelo azeite e pelo mel (ou não fosse esta the land of milk and honey). Mas também é conhecida (e isto sim é que interessa) pela sua micro fábrica de cerveja - a Taybeh Beer. A cerveja é boa, mas claro que a etiqueta "palestina" ajuda a vender, não só nos territórios, onde a população prefere beber a sua própria cerveja do que a israelita, mas também nos países para onde é exportada, porque afinal há que apoiar o povo ocupado. As garrafas eram importadas de Portugal, mas parece que uma vez os contentores ficaram retidos nas alfândegas israelitas durante meses e o que a empresa pagou pela espera foi mais do que pela mercadoria. Tiveram que deixar de importar e passar a comprar de Israel.
Quando o Hamas ganhou, imaginou-se logo a total islamização dos Territórios Palestinianos e pensou-se que a fábrica pudesse fechar, caso o álcool fosse proíbido. Bem, já há solução: a cerveja sem álcool, cuja garrafa até tem as cores do Hamas (verde) para os senhores ficarem mais contentes. Mas o próprio dono da cervejaria acredita que não tem com que se preocupar porque o Hamas tem mais problemas do que a cerveja.
Por estas bandas, o consumo pode ser do mais engagé possível: existe o Peace Oil, um azeite produzido conjuntamente por judeus e árabes; a Taybeh beer que promove o drink to the revolution, e os vinhos produzidos nos Montes Golã e que, pelo menos na Suécia, têm que levar o rótulo "produzido em território ocupado". Só não dá muito jeito é consumir produtos dos colonatos, porque estes não são reconhecidos pela UE.
Em conclusão: em Jerusalém ocidental eu beberei Maccabi, em Jerusalém oriental passarei a beber Taybeh. Para demonstrar a minha neutralidade.

domingo, março 25, 2007

Taybeh

Mais uma incursão (pacífica) à Cisjordânia, num taxi colectivo pelas estradas sinosas da Samaria: o muro, sempre, cabras e ovelhas a pastar nos montes, aldeias palestinianas aqui e ali, um ou outro colonato. Os colonatos são identificáveis pelo tipo de construção, toda igual e pelos telhados vermelhos (embora algumas casas palestinianas mais abastadas também usem telha, a arquitectura e o meio envolvente são diferentes).
O nosso destino desta vez foi Taybeh, a única localidade palestiniana 100% cristã. Cristã sim, mas de diferentes confissões, apesar de ter só 1500 habitantes. Existem três igrejas: católica grega, ortodoxa grega e católica romana. Parece que Jesus Cristo andou por lá com os discípulos antes da crucificação (eu sei que estar na Terra Santa e nunca ter lido a Bíblia para poder compreender melhor os sítios que visito é uma vergonha, mas há tanto para saber sobre as questões políticas que não há tempo para tudo. Confesso que quanto mais tempo cá estou, menos interesse - para dizer o mínimo - tenho pela religião, seja ela qual fôr).
Taybeh parece uma aldeia portuguesa. Lojas pequenas, pessoas que cumprimentam quando passa alguém, calma, muita calma, um padre católico muito prestável, uma vista deslumbrante...
No regresso, paragem obrigatória em Ramallah para almoçar falafel a 3 shekels (eu vou deixar de comer em Tel Aviv) e beber um chá acompanhado por morangos que um vendedor gentilmente nos ofereceu.